sábado, 24 de setembro de 2016

SÉRIE SERMÕES - OS DEZ MANDAMENTOS

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Êxodo 20:3

      Dando continuidade a nossa série de pregações sobre os Dez Mandamentos, quero mostrar para vocês que os Dez Mandamentos da Lei de Deus se dividem em duas partes:

      a.    Os quatros primeiros Mandamentos tratam de o nosso dever para com Deus;

      b.    Os seis últimos mandamentos, tratam de o nosso dever para com o próximo.

O próprio Senhor Jesus fez essa observação dos Dez Mandamentos de uma forma resumida conforme podemos ler em Marcos 12.28-31. Em Mateus 22.40, Jesus afirma que “Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas”.
Hoje vamos nos deter a analisar o Primeiro Mandamento da Lei de Deus. Neste Mandamentos nos é dito que não devemos ter outros deuses diante de Deus. Dentro desta verdade, podemos fazer algumas perguntas:


  I.         QUAIS SÃO OS DEVERES QUE ESTE MANDAMENTO EXIGE DE NÓS?

Temos a ideia de que hoje vivemos pela graça e não precisamos mais observar os mandamentos de Deus, mas será isso verdade? Será que pelo fato de Jesus ter morrido na cruz para nos salvar, não temos qualquer obrigação para com Deus? Será que este Mandamento foi revogado? Não tem mais validade para a igreja atual? Vejamos alguns deveres que este Mandamento exige daqueles que querem servir ao Senhor:

    a.Ele exige que tenhamos conhecimento e reconhecimento de que Deus é o único deus verdadeiro. Em Dt 4.39 nos diz: “Por isso hoje saberás, e refletirás no teu coração, que só o SENHOR é Deus, em cima no céu e em baixo na terra; nenhum outro há”. Em Dt 6.4 nos é diz: “Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR”. Is 43.10,11.
 
     b. Sendo Deus único, é nosso dever adorá-lo e glorificá-lo – Nosso Catecismo Maior de Westminster nos diz que o fim supremo e principal do homem é glorificá-lo para sempre, vejamos o Samo 73.24-28.  Deus nos ensina como O glorificar, e que devemos gozá-lo para sempre.

Concluindo este primeiro ponto, devemos entender que os deveres que este Mandamento exige de nós são:

O conhecer e reconhecer Deus como único verdadeiro Deus e nosso Deus, e adorá-lo e glorificá-lo como tal; pensar e meditar nÊle, lembrar-nos dÊle, altamente apreciá-lo, honrá-lo, adorá-lo, escolhê-lo, amá-lo, desejá-lo e temê-lo; crer nÊle, confiando, esperando, deleitando-nos e regozijando-nos nÊle; ter zelo por Ele; invocá-lo, dando-Lhe todo louvor e agradecimentos, prestando-Lhe toda a obediência e submissão do homem todo; ter cuidado de o agradar em tudo, e tristeza quando Ele é ofendido em qualquer coisa; e andar humildemente com Ele.

    II.        OS PECADOS PROIBIDOS NO PRIMEIRO MANDAMENTO.

Os pecados proibidos no primeiro mandamento são:

-        O pecado do ateísmo – Sl 14.1;
-        O pecado da idolatria, ter ou adorar mais do que um Deus, ou qualquer outro juntamente com o verdadeiro Deus ou em lugar dÊle – Jr 2.27, 28 1 Ts 1.9
-        O pecado de ignorância quanto a Deus e à sua vontade – Os 4.1, 6.
-        O pecado da  omissão ou negligência de qualquer coisa devida a Ele, exigida neste mandamento;
-        O pecado de investigações afoitas e curiosas dos segredos de Deus – Dt 29.29.
-        O pecado do descontrolado amor a si mesmo – 2 Tm 3.2.
-        O pecado de amar o mundo e às coisas terrenas mais do que a Deus -  1 Sm 2.29; Cl 3.2, 5.
-        O pecado de ser incorrigível – Jr 5.3
-        Insensibilidade sob o juízo divino – Is 42.25
-        O pecado da dureza de coração – Rm 2.5
-        O pecado da mornidão para com as coisas de Deus – Ap 3.1, 16

Por fim, podemos ainda dizer neste segundo ponto que existe três tipos de ateísmo:

a.    Ateísmo Teórico – É a negação absoluta de qualquer crença da existência de Deus;

b.    Ateísmo Virtual – Crer em Deus, mas não o Deus da Bíblia; crer que Deus é uma implicação necessária da mente humana. Um deus produzido pela mente.

c.    Ateísmo prático – Crer que Deus existe, mas vive como se Deus não existisse. Ou seja, nega a existência de Deus com a vida cotidiana. Ex: muitos crentes professam a fé em Deus, mas vive como se Deus não existisse.


   III.        POR QUE DEUS DÁ ENFASE QUE NÃO DEVEMOS TER OUTROS deuses DIANTE DELE?

Muitas vezes estamos tão envolvidos com este mundo, que esquecemos que Deus vê tudo o que nós fazemos, e por nós observar de perto sondar os nossos corações, Ele tem se ofendido com muitas coisas que fazemos, coisas estas que ele proíbe e que ao fazer-mos, gera desagrado da parte de Deus.
Pensamos que o alvo de idolatria só é o fato de nos curvarmos diante de uma imagem de escultura, porém, idolatria é tudo aquilo que toma o lugar de Deus em nossas vidas. Por exemplo:

- O dinheiro
- O trabalho
- A família,
- Os bens materiais,
- Nós mesmos...

Toda a nossa vida, inclusive todos os nossos pensamentos, palavras e obras, bem como o estado dos nossos corações, são observados por Deus. Em Hebreus 4.13 nos é dito: “E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar”. É impossível escaparmos da presença de Deus, pois ele é Onipresente, Onisciente e Onipotente. Adão e Eva tentaram inutilmente fugir da presença de Deus. O salmista nos diz nos salmos 139.7: Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face?”.
Deus contempla quando o substituímos por qualquer outra coisa, que não seja ele. Deus requer exclusividade daqueles que são seus servos. Deus não aceitar ser divido com ninguém, nem com nada. Por isso que Jesus disse para Satanás: “Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás” Lc 4.8.

CONCLUSÃO: Devemos realizar nosso todo serviço para Deus e todas as atividades da nossa vida, compreendendo que Deus vê e observa cada detalhe das nossas vidas. Pensando desta forma, devemos odiar e temer o pecado, e procurar amar e servir a Deus a cada momento, a cada dia e com toda a nossa vida.
Devemos ter cuidado, para não estar substituindo o senhor por qualquer coisa nesta vida, ele pedirá contas de tudo o que fazemos ou deixamos de fazer para a sua obra, para o seu reino.


Pr. Davi Gomes do Nascimento


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Fonte de pesquisa: Catecismo Maior de Westeminster comentado



sábado, 17 de setembro de 2016

SÉRIE SERMÕES - OS DEZ MANDAMENTOS

           Resultado de imagem para os dez mandamentos



Êxodo 20:1,2.

           Iniciaremos hoje mais uma série de ministrações, desta vez, vamos falar sobre os Dez Mandamentos da Lei de Deus. Usaremos como fonte primária de pesquisa a Bíblia Sagrada e como fontes secundárias, a Confissão de Fé de Westminster e o Catecismo Maior de Westminster. Queremos tratar nestas ministrações, primeiro como Deus se relaciona com Ele mesmo, segundo, como ele se relaciona com suas criaturas em geral e, terceiro, como Ele se relaciona com a sua igreja, de modo particular.
Devemos primeiro, considerar o prefácio dos Dez Mandamentos. O texto que lemos nos diz: “Eu sou o SENHOR teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão”. O que Deus queria dizer com estas Palavras? Deus aqui, meus amados irmãos, está manifestando de maneira clara a sua Soberania como Senhor Absoluto. Sendo Ele Soberano, ele também evidência os seus eternos atributos, que são: Eternidade, Imutabilidade, Onipotência, Onipresença, Oniciência...
O que precisamos entender é que Deus é Aquele que existe de Si e em Si mesmo, e que traz à existência todas as coisas. Deus é Aquele do pacto com o antigo Israel quanto com todo o seu povo e que como livrou Israel do cativeiro egipcio, também é o mesmo que nos libertou do nosso cativeiro espiritual e que, portanto somente a Ele devemos honrar e ter como Único Deus e como servos, devemos procurar guardar todos os seus mandamentos. O que podemos aprender para a nossa edificação hoje, através destes versiculos?


  I.         POR QUE ESTES PRIMEIROS VERSOS SÃO IMPORTANTES?

Ø  São três razões:

a.    Devemos entender que eles são partes integrais dos Dez Mandamentos,

b.    Eles fixam as razões por que temos a obrigação de obedecer aos mandamentos,

c.    Eles assentam o fundamento para a responsabilidade moral nos dois fatos:

1.    A soberania Absoluta de Deus e;
2.    A sua Obra de Redenção

Falamos tanto em Soberania de Deus, cantamos tanto a Soberania de Deus, mas será que sabemos o que realmente é Soberania de Deus?
Quando lemos na Palavra de Deus que ele é soberano, isso quer dizer que Ele tem autoridade Absoluta, Suprema e Imutável e o domínio sobre todo o universo. Por ser Soberano, Deus é supremo a todas as criaturas. A Confissão de Fé de Westminster nos diz que “Ele é a única origem de todo o ser; dele, por ele e para ele são todas as coisas e sobre elas tem ele Soberano domínio para fazer com elas, para elas e sobre elas tudo quanto quiser” (CFW II.II).
Muitas vezes nutrimos uma imagem de Deus, como se Ele fosse um Deus limitado pela vontade e imaginação humana, mas Ele diz em sua Palavra: “Eu sou o SENHOR teu Deus...”.

  
 II.        A SOBERANIA DE DEUS NA OBRA DA SALVAÇÃO.

Quando falamos na obra da Salvação, nos vem a pergunta: Que tem Soberania para salvar? Deus ou o homem?
Vejamos algumas referências Biblicas que nos ajudaram a responder essa pergunta:

a.    Salmos 68:20
b.    Jonas 2:9
c.    Apocalipse 19:1

Qual destes textos nos é dito que a salvação é gerada pelo próprio homem? Não há refência ao homem, no sentido de que ele pode conquistar a salvação por meritos próprios. E por quê? Veja o que o apostolo Paulo nos diz: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” Rm 3.23, mas ele ainda nos diz que "como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram"  Rm 5 :12. Jesus disse: “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós...”Jo 15.16, Ele disse ainda: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem"  Jo 10:27. Jesus falou isso pelo fato de haver ovelhas que não eram do seu aprisco, ou seja, aquele que não crer, não é ovelha do Senhor, isso foi o que Ele mesmo afirmou: “Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito” Jo 10.26.
Podemos perguntar: E agora, como podemos ser salvos? A resposta está em Efésios 2.8,9: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie”. A resposta é GRAÇA, apenas a graça de Deus, manifesta em Cristo Jesus, pode dar a salvação ao homem caído. Nossas obras são insuficientes para nos conferir a salvação, pelo fato de que nossa justiça própria é para Deus como trapos de imundícias, é isso que nos é dito em Is 64.6: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia”, em seguida nos é dito: E já ninguém há que invoque o teu nome, que se desperte, e te detenhas; porque escondes de nós o teu rosto, e nos fazes derreter, por causa das nossas iniquidades”, v.7. Então, podemos observar que não há nenhuma centelha de bondade divina no ser humano, que o conduza até Deus e se hoje estamos aqui reunidos para adorar ao senhor, a esse Deus que é soberano, é por que Ele nos trouxe pela sua maravilhosa graça. Ele e somente Ele é Soberano para Salvar o homem em seu estado de morte espiritual. Ele e Somente Ele pode trazer o homem de volta a vida, de volta à sua presença.


III.        A REDENÇÃO DE DEUS NOS IMPÕE DUAS OBRIGAÇÕES.


Hoje podemos dizer que gozamos de liberdade, pois foi através de Cristo, em Cristo e para cristo que somos livres. Mas essa liberdade redentora nos impõe duas obrigações. São elas:

a.    A obrigação da fidelidade – “Somente a ele devemos receber como nosso único Deus”. Deus requer da parte de nós, exclusividade plena. A nossa vida devocional, pessoal e social, não deve ser dividida com outras coisas, pois ele é um Deus Santo e  Zeloso: “Então Josué disse ao povo: Não podereis servir ao SENHOR, porquanto é Deus santo, é Deus zeloso, que não perdoará a vossa transgressão nem os vossos pecados. Se deixardes ao SENHOR, e servirdes a deuses estranhos, então ele se tornará, e vos fará mal, e vos consumirá, depois de vos ter feito o bem”, Josué 24.19,20. Em Pv 12:22 nos diz que “Os lábios mentirosos são abomináveis ao SENHOR, mas os que agem fielmente são o seu deleite”.

b.    A obrigação da Obediência – O crente tem a obrigação de obedecer a Deus em todas as áreas de sua vida. A desobediência tem como consequência, a punição e condenação eterna. As ovelhas procuram obedecer a voz do seu Supremo Pastor. Quem não obedece, não pode ser classificada como ovelhas de Cristo. A desobediência é entendida como rebeldia e os rebeldes não entraram no Reino de Deus.

CONCLUSÃO: Por que é tão importante atentarmos para o estudo dos  Dez Mandamentos? Por que é tão importante para o crente voltar seus olhos a Lei de Deus? Responderei e encerrarei esta mensagem usando o salmo 19:7-11:


A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices.

Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro, e ilumina os olhos.

O temor do SENHOR é limpo, e permanece eternamente; os juízos do SENHOR são verdadeiros e justos juntamente.

Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos.

Também por eles é admoestado o teu servo; e em os guardar há grande recompensa.



Que Deus nos abençoe.


Pr. Davi Gomes do Nascimento

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Sinais externos não bastam!





C. H. Spurgeon

O rasgar de vestes e outros sinais exteriores de emoção religiosa podem ser manifestados com facilidade e, frequentemente, são hipócritas. Sentir o verdadeiro arrependimento é muito mais difícil e, consequentemente, muito menos comum: “Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes” - Joel 2.13

Os homens atenderão às mais diversas e minuciosas normas de cerimônias religiosas que são agradáveis à carne. Mas a verdadeira fé é bastante humilhante, perscrutadora e completa, e não atrai o gosto carnal dos homens. Alguns preferem algo mais ostentoso, superficial e mundano.

Os ouvidos e olhos são satisfeitos, a presunção é alimentada, e a justiça própria é enaltecida. Todavia, eles estão enganados, porque, na hora da morte e no Dia do Juízo, a alma necessita de algo mais substancial do que cerimônias e rituais em que possa confiar. Oferecida sem um coração sincero, toda forma de adoração é um fingimento e uma zombaria descarada da majestade no céu. O rasgar do coração é uma obra realizada por Deus e experimentada com solenidade. E uma tristeza secreta experimentada pessoalmente, não como um ritual, e sim como uma obra profunda e constrangedora da alma, por parte do Espírito Santo, no coração de todo crente.

Não é uma questão para ser meramente discutida e crida, mas para ser aguda e sensitivamente experimentada em cada filho do Deus vivo. O rasgar do coração é poderosamente humilhante e completamente purificador do pecado; mas, depois, é docemente preparatório para as consolações graciosas que espíritos orgulhosos não podem receber. É distintamente característico, pois pertence aos eleitos de Deus, e para os tais apenas. O versículo de hoje nos ordena a rasgar o coração, mas ele naturalmente é tão duro quanto o mármore.

Como, então, podemos fazer isto? Temos de levar nosso coração até ao Calvário. A voz de um Salvador quase morto rasgou as rochas naquela ocasião e continua tão poderosa agora como o foi naquele dia. O bendito Espírito Santo, faze-nos ouvir os clamores de morte do Senhor Jesus, e nosso coração será rasgado, à semelhança de homens que rasgavam suas vestes no dia de lamentação.

 Pr. Spurgeon
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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

SÉRIE SERMÕES - APOCALIPSE


Apocalipse 3.14-22

Meus amados irmãos, chegamos a sétima e ultima carta dirigida às igrejas da Ásia, e desta vez falaremos sobre a igreja situada na cidade de Laodiceia.
Laodiceia era uma cidade muito prospera muito rica. Local onde moravam milionários, também uns lugares de banqueiros. Em Laodiceia era o local de fontes termais, também havia nesta cidade uma famosa escola de medicina, onde era produzido um medicamento próprio para a fraqueza dos olhos. Também era produzido em Laodiceia, varias espécie de roupas de lã negra e macia das ovelhas do vale.
Por ser uma cidade muito rica e próspera, seus habitantes recusaram a ajuda do governo para a reconstrução da cidade, quando a mesma fora destruída por um terremoto.
A igreja de Laodiceia nutria o mesmo sentimento dos habitantes da cidade, ou seja, eram crentes orgulhosos e vaidosos. Imaginavam que suas riquezas fossem um sinal do especial favor de Deus, por isso, começaram a pensar que eram os “tais”. Aqueles irmãos haviam absorvido o espirito que caracterizava a cidade como um todo. Vangloriavam-se de suas riquezas espirituais (Sem as possuir).
De todas as cartas dirigidas às igrejas da Ásia, esta é a mais dura. Não houve nenhum elogio da parte de Jesus para à igreja de Laodiceia. A igreja se alto proclamava boa, santa e espiritual, mas a visão de Cristo revela que tais qualidades eram falsas.

  I.        QUAL A LEITURA DIAGNÓSTICA JESUS FAZ DESSA IGREJA?

1.    A falta de fervor espiritual – Segundo o pr. Hernandes Dias Lopes, na vida cristã há três temperaturas, são elas:

a.    Um coração ardente (Luc 24:32);
b.    Um coração frio (Mt 24:12);
c.    Um coração morno (Ap 3:16).

Não havia problemas com falsos ensinos, falsos mestres, perseguições ou imoralidade. O problema da igreja de Laodiceia era a falta de fervor espiritual. A vida espiritual da igreja era morna, indefinível, apática, indiferente e nauseante. A igreja era acomodada.
O grande problema que tem assolado às igrejas tradicionais, é exatamente quando se trata de fogo espiritual, pois confundem com fanatismo religioso irracional. Jonathan Édwards disse que precisamos ter luz na mente e fogo no coração. Pr. Hernandes diz que “Muitos crentes têm medo do entusiasmo. Mas entusiasmo é parte essencial do Cristianismo. Não podemos ter medo das emoções, mas do emocionalismo”.

2.    Um crente morno é pior que um incrédulo v. 15 - A queixa de Jesus contra os fariseus era contra a hipocrisia deles. Alguém que nunca fez profissão de fé e tem a consciência de sua completa falta de vida moral é muito mais fácil de ser ajudado que algum outro que se julga cristão, mas não tem verdadeira vida espiritual.
Uma pessoa morna é aquela em que há um contraste entre o que diz e o que pensa ser, de um lado, e o que ela realmente é, de outro. Ser morno é ser cego à sua verdadeira condição. (Hernandes Dias Lopes)

3.    Um crente morno provoca náuseas em Jesus v.16 - A igreja de Laodiceia era de Cristo, mas em vez de dar alegria a Cristo estava provocando náuseas nele. Fomos salvos para nos deleitarmos em Deus e sermos a delícia de Deus. Mas, quando perdemos nossa paixão, nosso fervor, nosso entusiasmo, provocamos dor em nosso Senhor, náuseas no nosso Salvador. Cristo repudiará totalmente aqueles cuja ligação com ele é puramente nominal e superficial. A igreja de Laodiceia desapareceu. Da cidade só restam ruínas. A igreja perdeu o tempo da sua oportunidade.


 II.        CRISTO FAZ UM APELO À IGREJA.

1.    A igreja era uma igreja muito rica, mas Jesus se apresenta a igreja como um mercador e lhe dá conselhos:

“Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas” v. 18.

A visão de si mesma da igreja era de autos-suficientes, mas como crentes que eram, deveriam encontrar sua suficiência em Cristo. "Aconselho-te que compres DE MIM...”.

2.    Cristo se apresenta à igreja como um mercador espiritual. Seus produtos são essenciais e necessários. Seu preço é de graça.

3.    O ouro que Cristo oferece é o Reino do céu. A roupa que Cristo oferece são as vestes da justiça e da santidade. O colírio oferecido por Cristo abre os olhos para o discernimento.

4.    Cristo está conclamando a igreja a não confiar em seus bancos, em suas fábricas e em sua medicina. Só Cristo pode enriquecer nossa pobreza, vestir nossa nudez e curar a nossa cegueira.


   III.        CRISTO CONCLAMA A IGREJA PARA UMA MUDANÇA DE VIDA v. 19.

a.    Ele evidencia amor pela igreja, por isso a exorta – “Eu repreendo e castigo aqueles que  amo; sê pois zeloso, e arrepende-te”.

b.    Antes de revelar o seu juízo (vomitar da sua boca) ele demonstra a sua misericórdia (repreendo e disciplino aqueles que amo).

c.    O arrependimento verdadeiro significa o abandono do cristianismo de aparências.  “A piedade superficial nunca salvou ninguém. Não haverá hipócritas no céu. Devemos vomitar essas coisas da nossa boca, do contrário, ele nos vomitará” (Pr. Hernandes Dias Lopes).

d.    A igreja estava tão envolvida com si mesma, que deixou Jesus do lado de fora de suas vidas. Isso mostra a falta de comunhão evidenciada por aquela igreja para com o senhor Jesus. Jesus estava do lado de fora da ceia, por isso ele diz:

Como a igreja pode deixar Jesus de fora do seu convívio?

a.    Quando se preocupa mais com as coisas deste mundo, do que com as de Deus.

b.    Quando nutre o pensamento de auto-suficiência, ou seja, não precisa de nínguem.

c.    Quando deixa de orar, ler a Palavra de Deus, vir a casa de Deus para ter comunhão nos cultos e reuniões regulares da igreja.

Jesus insiste dizendo: "Estou à porta e bato”. De que maneira ele bate? Através das Escrituras, sermão, hino, acidente, doença. É preciso ouvir a voz de Jesus.

Jesus conduz a igreja vencedora, até o seu trono de Glória. Quando Cristo entra em nossa casa recebemos a riqueza do Reino. Recebemos vestes brancas de justiça. Nossos olhos são abertos. Temos a alegria da comunhão com o Filho de Deus. Mas temos, também, a promessa que excede em glória a todas as outras promessas ao vencedor.
Como Cristo participa do trono do Pai, também participaremos do trono de Cristo. Quando abrimos a porta para Cristo entrar em nossa casa, recebemos a promessa de entrar na Casa do Pai. Quando recebemos Cristo à nossa mesa, recebemos a promessa de sentarmos com ele em seu trono.   

Que Deus nos abençoe. Amém.

                                           
                                                  
                                                                                          Pr. Davi Gomes do Nascimento

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Fontes:
  1.  "Mais que Vencedores", Willian Hendriksen, Ed. CEP
  2. "Estudos no Livro de Apocalipse" Pr. Hernandes Dias Lopes, Ed. hagnos;
  3. Biblia de Estudo de Genebra, SBB e Ed. Cultura Cristã. 




sexta-feira, 26 de agosto de 2016

SÉRIE SERMÕES - APOCALIPSE


Apocalipse 3.7-13

            A Palavra Filadélfia tem seu significado derivado de duas palavras gregas: Phillos = Amor; e Adelphos = irmão, significa literalmente: “Amor Fraternal”, ou “amor entre irmão”. A cidade de Filadélfia era a cidade mais jovem entre as sete cidades, e também foi fundada por colonos vindos da cidade de Pergamo, sob o reinado de Atalo II. Átalo amava tanto a seu irmão Eumenes que o apelidou de philadelphos, o que ama a seu irmão. Daí vem a origem do nome da cidade. Filadélfia era situada em local estratégico e era a rota principal do correio imperial de Roma para o Oriente, por isso a cidade também era chamada de “porta para o oriente”. Em Filadélfia havia muitos templos dedicados aos deuses gregos, por isso também era conhecida como “pequena Atenas. Segundo John Stott, Filadélfia era também chamada a “cidade dos terremotos”. Tremores de terra eram frequentes e tinham levado muitos antigos habitantes a deixar a cidade em busca de lugar mais seguro. O violento terremoto que devastou Sardes no ano 17 d.C., quase destruiu completamente Filadélfia.
Jesus escreve para esta jovem igreja, fundada nesta jovem cidade. O que tem ele a nos ensinar nesta noite, através desta carta?

  I.        JESUS CONHECE A IGREJA E O LOCAL ONDE ELA SE ENCONTRA.

a.    A cidade de Filadélfia teve sua fundação na intenção de ser ela porta aberta de divulgação da cultura e do idioma grego na Ásia. Átalo fundou Filadélfia para ser um elo da cultura helênica, missionária da filosofia grega.

b.    Cristo colocou uma porta aberta diante da igreja para que ela proclamasse não a cultura grega, mas o evangelho da salvação v. 8. John Stott afirma que o que a cidade tinha sido para a cultura grega era agora para o evangelho cristão.

c.    A cidade fora castigada por vários terremotos, e as pessoas viviam assustadas pela instabilidade. Existiam muitos terremotos e grandes tremores de terra na cidade de Filadélfia. Muitos viviam em tendas fora da cidade.

d.    A igreja vivia atemorizada com os terremotos e tremores da cidade, porém Jesus diz: "Farei do vencedor uma coluna no templo do meu Deus, de onde jamais sairá " (Ap 3.12).

São Palavras de esperança, em tempos de crises. Palavras confortadoras em tempo de desconforto. Jesus afirma para a igreja localizada na cidade dos tremores e abalos e que nunca mais seriam abalados nem destruídos. Cremos nesta verdade em nossos dias? Para nossas igrejas? Para nossas vidas em particular?


    II.        JESUS SE APRESENTA COMO A SOLUÇÃO PARA OS PROBLEMAS QUE AFLIGEM A IGREJA.

a.    Alem de sofrer as catástrofes naturais, a igreja também sofria com a atuação dos falsos mestres. Em nossos dias, as igrejas que agem com fidelidade bíblica doutrinária, também é perseguida com os ataques de falsos mestres que auto se intitulam de pastores, apóstolos, mestres... que na verdade tem proclamado um outro evangelho que não é o de Cristo, por isso o apostolo Paulo advertiu a igreja de Corinto dizendo que “se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, com razão o sofrereis” 2 Cor 11.4, também adverte às igrejas da Galácia afirmando que “ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema” Gl 1.8.

b.    Jesus reconhece a fragilidade da igreja, ao afirmar que ela tinha pouca força no mundo, mas a parabeniza pela sua fidelidade, v. 8.

c.    A igreja tinha pouca força, talvez por ser pequena; ser formada por crentes pobres e escravos; por não ter influência política nem social na cidade, mas ela havia guardado a Palavra de Cristo e não havia negado seu Nome.

d.    Essa deve ser a atitude de uma igreja que evidência fidelidade para com o Senhor Jesus. Mesmo passando por provas, perseguição e ainda, inserida em um local de impiedade, idolatria e prostituição cultual, ela permanece fiel.

e.    Como anda a sua vida com Cristo? És fiel em tudo? Mesmo em provas e tribulações, és fiel ao Senhor?


   III.        JESUS SE APRESENTA COLOCANDO DIANTE DA IGREJA, UMA GRANDE OPORTUNIDADE v. 8.

Que porta é está? Quais são estas oportunidades colocadas por Cristo diante da sua igreja?

a.    A primeira delas é a salvação. Mesmo sofrendo opressões, a igreja tinha certeza que era salva. Esta certeza foi conquistada pelo Senhor Jesus e afirmada por Ele mesmo. ((Mt 7:13-14).

b.    A segunda é a oportunidade que Ele nos dá de falar do seu amor para outras pessoas, ou seja, é a porta da evangelização. As tristezas da cidade eram como um grito de socorro dos seus habitantes que eram carentes do evangelho. Esta era uma porta de oportunidade para se pregar o evangelho que é poder de Deus para todo aquele que crer.

c.    O Pr. Hernandes dias Lopes diz que havia três problemas que aparentemente impossibilitava a proclamação do evangelho da graça, são eles:

-        A igreja era muito fraca (v. 8) - congregação pequena, formada de crentes pobres e escravos, fazendo com que tivesse pouca influência sobre a cidade. Mas isso não devia detê-la no evangelismo.

-        Havia oposição à igreja na cidade (v. 9) - Os judeus, chamados por Jesus, sinagoga de Satanás, perseguiu a igreja. No começo os crentes começaram a recuar, então Cristo disse para a igreja: eu coloquei diante de vocês uma porta aberta que ninguém pode fechar. Aqueles que hoje perseguem vocês virão e se prostrarão diante de vocês e saberão que os amei.

-        A ameaça de futura tribulação (v. 10) - Seria aquele momento apropriado para evangelismo? Não seria um tempo para recolher-se e manter-se seguro, em vez de avançar? Cristo diz não! Ele promete guardar a igreja e a encoraja a cruzar a porta aberta sem medo. Não basta ser uma igreja que guarda a Palavra (v. 8). É preciso proclamar a Palavra. Não basta ser uma igreja ortodoxa, é preciso ser uma igreja missionária! Assim como a cidade tinha uma missão ser a missionária da cultura grega, a igreja deveria ser a missionária do evangelho. A porta estava aberta. A porta está aberta, precisamos aproveitar as oportunidades enquanto é dia!

Conclusão: Meus amados Irmãos, Jesus não é aquele que apenas sabe o local em que a igreja se encontra, ou aquele que apenas conhece os problemas da igreja, ou ainda, aquele que coloca uma grande oportunidade diante da igreja, mas Ele também é aquele que dá grandes garantias a sua igreja v.7.

a.    Ele tem em suas mãos toda a autoridade,
b.    Em suas mãos estão a chave da Salvação
c.    Ele também tem a chave da evangelização

Jesus não apenas conhece a pobreza e os problemas e provações da igreja, e conhecendo bem a fidelidade da igreja, Jesus faz promessas de uma grande recompensa e uma herança gloriosa: “A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome”, Ap 3.12. Diante disto, somos encorajados á permanecermos firmes até a volta de Cristo, v.11.


“Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”, v. 13



Que Deus nos abençoe. Amém.

Pr. Davi Gomes do Nascimento

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Fonte: Estudos no Livro de APOCALIPSE - Hernandes Dias Lopes, Comentário Bíblico do Novo testamento - Ed. Central Gospel, Bíblia de Estudo de Genebra.